O andrologista é o médico que cuida da saúde sexual, hormonal e reprodutiva do homem. Na prática brasileira, é um urologista com formação concentrada nessa área. Ele trata disfunção erétil, ejaculação precoce, infertilidade masculina, hipogonadismo, doença de Peyronie e orienta contracepção masculina, em interface frequente com a endocrinologia.
O que é andrologia
Andrologia é o campo da medicina dedicado ao aparelho reprodutor e à função sexual do homem, o equivalente masculino do que a ginecologia representa para a mulher. O nome vem do grego andros, homem. Ela reúne três eixos que raramente andam separados: a função sexual (ereção, ejaculação, desejo), a função hormonal (produção de testosterona pelos testículos e seu controle pelo cérebro) e a fertilidade (produção e qualidade dos espermatozoides).
Vale esclarecer um ponto que gera confusão em consultório: no Brasil, a andrologia não aparece como especialidade autônoma na lista oficial do Conselho Federal de Medicina. Ela é exercida como área de atuação e de concentração dentro da urologia. Por isso você não encontrará um médico com "residência em andrologia" no país; encontrará um urologista que se aprofundou nesse campo, o que é diferente de não ter formação. A Sociedade Brasileira de Urologia mantém, inclusive, um departamento específico de andrologia, com produção científica e eventos próprios.
Andrologia, urologia e endocrinologia: onde uma encosta na outra
A urologia é a especialidade médica que cuida de todo o trato urinário de homens e mulheres e do aparelho reprodutor masculino. É um território amplo, que vai de pedra nos rins a câncer de próstata. Vale a leitura sobre tudo o que o urologista trata para dimensionar o escopo. A andrologia é o recorte dentro dessa especialidade que se concentra na parte sexual, hormonal e reprodutiva.
Já a endocrinologia é a especialidade dos hormônios em geral: tireoide, diabetes, obesidade, eixo hipófise-testículo. O andrologista e o endocrinologista se encontram com frequência quando o problema sexual tem raiz hormonal. Um homem com testosterona baixa, por exemplo, pode chegar por qualquer uma das duas portas. Em situações mais complexas (alterações da hipófise, doenças metabólicas mal controladas, uso prévio de anabolizantes), o trabalho conjunto costuma render mais do que o encaminhamento em fila. É a diferença entre uma investigação que anda em paralelo e uma peregrinação de encaminhamento em encaminhamento.
O que o andrologista trata
Disfunção erétil. Dificuldade persistente de obter ou manter uma ereção suficiente para uma relação satisfatória. É a queixa mais comum e quase nunca tem causa única: circulação, hormônios, medicamentos em uso, sono, ansiedade e contexto do relacionamento entram na mesma conta. Se você quer entender o que caracteriza o quadro antes de marcar consulta, vale conhecer os sinais que definem a disfunção erétil.
Ejaculação precoce. Ejaculação que acontece antes do desejado, de forma recorrente, com sofrimento associado. Pode ser ao longo de toda a vida sexual ou surgir depois de um período sem queixa, e essa distinção muda a investigação. As causas da ejaculação precoce envolvem componentes neurobiológicos e emocionais, e não "falta de controle".
Infertilidade masculina. Quando um casal não consegue engravidar após cerca de um ano de tentativas sem contracepção, o homem precisa ser avaliado: não depois, junto. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o fator masculino está envolvido em aproximadamente metade dos casos de infertilidade conjugal. A avaliação inclui história clínica, exame físico (varicocele é um achado frequente) e espermograma, o exame que analisa concentração, mobilidade e forma dos espermatozoides.
Hipogonadismo masculino. Produção insuficiente de testosterona pelos testículos, confirmada por sintomas somados a exames laboratoriais colhidos em condições adequadas, nunca por um único valor isolado. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia reforça que o diagnóstico exige repetição da dosagem e investigação da causa. Sintomas como queda de libido, fadiga e perda de massa muscular se sobrepõem a muitas outras condições, e é por isso que o quadro de testosterona baixa precisa ser confirmado antes de qualquer conduta.
Doença de Peyronie. Formação de uma placa de tecido fibroso na túnica albugínea (a camada que envolve os corpos cavernosos do pênis) que provoca curvatura, encurtamento, dor ou dificuldade de penetração. Tem fase inflamatória inicial e fase estável, e o momento em que o homem procura ajuda influencia bastante a condução do caso.
Contracepção masculina e vasectomia. Orientação sobre métodos, indicação e realização de vasectomia, além do acompanhamento pós-procedimento com espermograma de controle. Também cabe aqui a conversa sobre reversão e sobre o que o procedimento não altera: testosterona, ereção e ejaculação seguem inalteradas.
Saúde sexual em contextos específicos. Alterações de desejo, dor na relação, queixas sexuais após cirurgia pélvica ou tratamento oncológico, e efeitos sexuais de medicamentos de uso contínuo.
Como é a formação de um andrologista
O caminho é longo e verificável. Seis anos de graduação em medicina, seguidos de residência médica em cirurgia geral como pré-requisito (dois anos) e residência em urologia (três anos): cinco anos de treinamento em serviço credenciado após a faculdade. Só depois disso vem o aprofundamento em andrologia, que costuma acontecer por meio de programas de fellowship, estágios em serviços de referência, pós-graduação e participação continuada em atividades científicas da área.
O marco de qualificação mais reconhecido é o Título de Especialista em Urologia, conferido pela Sociedade Brasileira de Urologia em conjunto com a Associação Médica Brasileira, mediante prova. Ele não é obrigatório para exercer a urologia, mas é um indicador objetivo de que o médico se submeteu a uma avaliação externa de conhecimento.
Como saber se o profissional realmente tem essa formação
Você tem o direito de checar, e a checagem é simples:
- Confirme o registro no CRM. Todo médico em atividade tem número de CRM ativo no estado onde atende. A consulta pública do Conselho Federal de Medicina e a dos Conselhos Regionais mostram nome, número, situação do registro e as especialidades registradas.
- Verifique a especialidade registrada. No Brasil, o médico só pode anunciar uma especialidade se ela estiver registrada no Conselho. Procure por "Urologia". A ausência de "Andrologia" na lista não é sinal de problema: como explicado acima, ela não é especialidade autônoma na relação oficial.
- Pergunte sobre a residência. Onde fez, em que anos, em qual serviço. É uma pergunta legítima e nenhum médico sério se incomoda com ela.
- Pergunte sobre o título de especialista. O TEU da Sociedade Brasileira de Urologia tem número e é verificável.
- Desconfie de promessa. Nenhum profissional ético garante resultado, percentual de sucesso ou "cura definitiva" em saúde sexual. A publicidade médica no Brasil é regulada pelo Conselho Federal de Medicina justamente para coibir esse tipo de apelo.
Se a dúvida for mais ampla (qual profissional acompanha o homem ao longo da vida, e não apenas a queixa sexual), vale entender o papel do médico que cuida da saúde do homem em cada fase.
Quando procurar ajuda médica
Procure avaliação quando a queixa é persistente, e não um episódio isolado. Sinais concretos: dificuldade de ereção que se repete na maioria das tentativas por três meses ou mais; ejaculação que acontece antes do desejado de forma recorrente e incomoda você ou o parceiro; queda de desejo acompanhada de cansaço, sono ruim e perda de força; ausência de ereções matinais que antes existiam; curvatura, dor ou nódulo palpável no pênis; tentativa de gravidez sem sucesso há cerca de um ano; dor ou aumento de volume nos testículos; e qualquer mudança sexual que apareceu junto com um diagnóstico novo ou com um medicamento novo.
Você não está sozinho nisso, e adiar não torna a conversa mais fácil; torna a investigação mais tardia. Queixa sexual é sintoma médico, não fraqueza de caráter, e muitas vezes é o primeiro aviso de algo cardiovascular ou metabólico que ainda não deu outro sinal.
Como a Pró Homem avalia
Na Pró Homem, a avaliação começa por escutar a história completa: quando a queixa começou, se é constante ou situacional, o que mudou na sua vida no período, medicamentos em uso, doenças já diagnosticadas, sono, álcool, tabagismo e o contexto do relacionamento. A partir daí, exame físico e exames laboratoriais são solicitados quando há indicação clínica, nunca em pacote fechado. O objetivo não é silenciar o sintoma, é encontrar a causa que o sustenta.
O acompanhamento é conduzido por uma equipe integrada, que reúne a avaliação médica com as frentes hormonal, metabólica, nutricional e emocional, porque na prática essas causas raramente aparecem sozinhas. A telemedicina funciona como porta de entrada, especialmente para quem está adiando a consulta por constrangimento, e o acompanhamento inclui etapa presencial obrigatória para exame físico. O sigilo é regra do Código de Ética Médica e estrutura de trabalho: o conteúdo da consulta fica restrito à equipe assistente. Conheça o corpo clínico da Pró Homem e quem conduz cada etapa, ou entenda antes como é a consulta de saúde sexual masculina.
Perguntas frequentes
Não são sinônimos, mas se sobrepõem. Urologia é a especialidade médica registrada; andrologia é a área de atuação dentro dela, voltada à saúde sexual, hormonal e reprodutiva do homem. Todo andrologista, no Brasil, é urologista de formação, mas nem todo urologista concentra sua prática em andrologia.
Não. A formação reconhecida é a residência em urologia, precedida de cirurgia geral. O aprofundamento em andrologia acontece depois, por meio de fellowship, estágios em serviços de referência, pós-graduação e atividade científica continuada na área.
Consulte o número do CRM nas bases públicas do Conselho Federal de Medicina e do Conselho Regional do estado. Elas informam nome, situação do registro e especialidades registradas. É uma consulta gratuita, e conferir antes da consulta é prática recomendável.
Não é necessário encaminhamento para procurar avaliação. Muitos homens chegam por conta própria ao perceber uma queixa sexual, e outros são encaminhados pelo clínico, pelo endocrinologista ou pelo cardiologista quando o sintoma aparece junto de outra condição.
Não. Ele também avalia fertilidade, hormônios masculinos, alterações anatômicas do pênis e dos testículos e contracepção masculina. Além disso, uma queixa sexual funciona frequentemente como porta de entrada para identificar hipertensão, diabetes ou dislipidemia ainda não diagnosticadas.
Não. A andrologia trata especificamente da saúde sexual e reprodutiva masculina. O que existe é a avaliação do casal na investigação de infertilidade, em que cada parceiro é acompanhado pelo profissional adequado e as informações são analisadas em conjunto.
Revisão médica: Revisado por Dr. Andrei Oliveira, CRM PR 53133. Publicado em: 06 de setembro de 2026 · Última revisão: setembro de 2026


