A maca peruana é uma raiz cultivada nos Andes e vendida como suplemento para energia e libido. Estudos pequenos sugerem um efeito modesto e inconsistente sobre o desejo sexual, sem aumento comprovado de testosterona. Ela não trata disfunção erétil nem alteração hormonal, e queda de desejo persistente tem causa que merece investigação médica.
O que é a maca peruana
A maca (nome científico Lepidium meyenii) é a raiz de uma planta da mesma família do nabo, do rabanete e do brócolis. É cultivada há séculos no planalto andino do Peru, em altitudes muito elevadas, onde faz parte da alimentação tradicional: cozida, seca ou transformada em farinha. Existem variedades de cores diferentes, como amarela, vermelha e preta, e cada uma tem composição um pouco distinta.
Entre as substâncias estudadas na raiz estão as macamidas e os glucosinolatos. Glucosinolatos são compostos de enxofre presentes em toda essa família de vegetais, e voltaremos a eles quando falarmos de tireoide.
Fora do Peru, a maca ganhou fama como "energético natural" e "afrodisíaco", e hoje é vendida em pó, cápsulas e misturas prontas. No Brasil, ela circula como alimento ou como suplemento alimentar. Vale saber uma regra da Anvisa que muita gente desconhece: suplemento alimentar não pode ser anunciado como algo que trata, cura ou previne doença. Quando um rótulo promete "potência", "vigor sexual garantido" ou "substituto do remédio", a promessa já está fora do que a regulamentação permite.
O que os estudos sugerem sobre desejo sexual
A maior parte das pesquisas com maca e sexualidade masculina tem três características em comum: poucos participantes (em geral, algumas dezenas), duração curta (semanas) e preparações diferentes entre si, o que dificulta comparar um estudo com outro.
Alguns ensaios controlados com placebo relataram aumento do desejo sexual autorreferido depois de algumas semanas de uso. Outros não encontraram diferença relevante. Há também estudos pequenos em homens com disfunção erétil leve e em pessoas com queixa sexual associada ao uso de antidepressivos, com sinais discretos que não foram confirmados de forma consistente.
As revisões que reuniram esses trabalhos chegam a uma conclusão parecida: existe um sinal, mas ele é pequeno, instável e apoiado em estudos de qualidade limitada. Na prática, "efeito modesto e inconsistente" significa que alguns homens relatam alguma diferença, muitos não percebem nada e ninguém consegue prever em qual grupo você estaria.
Há um detalhe importante sobre sexualidade: o efeito placebo é forte. Expectativa, atenção ao próprio corpo e a sensação de estar "fazendo algo" já mudam a percepção do desejo. Por isso estudos com grupo placebo são essenciais, e por isso relatos individuais, por mais sinceros que sejam, não provam que a raiz funciona.
A maca aumenta a testosterona?
Os estudos que mediram hormônios no sangue não encontraram aumento de testosterona nem mudança relevante em outros hormônios reprodutivos. Se a maca tem algum efeito sobre o desejo, ele não parece passar pela testosterona, e o mecanismo continua sem explicação clara.
Isso tem uma consequência prática: para quem tem sintomas de testosterona baixa, como cansaço persistente, queda de libido, perda de massa muscular e piora das ereções matinais, a maca não corrige o problema. O máximo que ela pode fazer é mascarar a percepção por algumas semanas enquanto a causa segue sem diagnóstico. O que de fato influencia a produção hormonal (sono, peso, atividade física, álcool) está reunido no artigo sobre como aumentar a testosterona naturalmente.
Existem ainda estudos pequenos sobre maca e parâmetros do sêmen. Eles também são insuficientes para qualquer recomendação.
O que a maca não faz
Para separar expectativa de evidência, vale ser direto. Pelo que se sabe hoje, a maca:
- não trata disfunção erétil de origem vascular, hormonal, neurológica ou medicamentosa;
- não corrige testosterona baixa nem substitui reposição hormonal quando ela é indicada;
- não trata depressão, ansiedade ou estresse crônico, que estão entre as causas mais comuns de queda de desejo;
- não age como estimulante imediato antes da relação;
- não tem eficácia comprovada como "energético" para cansaço persistente.
Ela aparece com frequência em fórmulas vendidas como estimulante sexual, ao lado de outras plantas como o tribulus terrestris e o feno-grego, que têm evidência igualmente limitada. O panorama desses produtos, e o risco de adulteração que a Anvisa já identificou em alguns deles, está no artigo sobre viagra natural.
Cuidados antes de usar
"Natural" não é sinônimo de inofensivo. Alguns pontos merecem atenção.
Tireoide. Os glucosinolatos, em grande quantidade, podem interferir no aproveitamento do iodo pela glândula tireoide (o chamado efeito bociogênico, que favorece o aumento da glândula). A relevância clínica disso para a maca ainda é incerta, mas quem tem hipotireoidismo, nódulo na tireoide ou usa hormônio tireoidiano deve conversar com o médico antes.
Interações e condições de saúde. Há pouca informação formal sobre interações da maca com medicamentos, e ausência de estudo não é prova de segurança. Quem usa remédios de uso contínuo (para pressão, coagulação, diabetes, depressão ou hormônios) ou tem condição sensível a hormônios precisa informar o médico sobre qualquer suplemento.
Qualidade e procedência. Suplemento vegetal varia muito: parte da planta usada, forma de processamento, origem, presença de contaminantes como metais pesados e mistura com outras substâncias. Produtos sem regularização na Anvisa, vendidos em canais informais, são os mais arriscados. E produtos "naturais" para potência já foram flagrados com fármacos não declarados no rótulo.
Efeitos relatados. Desconforto gastrointestinal, alteração do sono e sensação de agitação aparecem em relatos de uso. Se surgir qualquer sintoma novo, suspenda e procure orientação.
Este texto não indica dose nem marca, e não recomenda o uso. A decisão sobre qualquer suplemento deve ser tomada com quem conhece seu histórico.
Queda de desejo tem causa investigável
Aqui está o ponto central. Quem procura maca quase sempre está tentando resolver um sintoma: menos vontade, menos energia, menos iniciativa. Esse sintoma raramente aparece do nada, e as causas mais comuns são identificáveis.
Entre elas estão alterações hormonais (testosterona baixa, prolactina elevada, tireoide), sono ruim e apneia, excesso de peso e alterações metabólicas, consumo de álcool, uso de medicamentos (com destaque para alguns antidepressivos que afetam a libido), estresse, depressão, ansiedade e desgaste no relacionamento. Muitas vezes há mais de um fator somado.
As diretrizes de sociedades médicas como a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) baseiam o cuidado das queixas sexuais e hormonais em diagnóstico e em terapias com evidência estabelecida. Suplementos vegetais não estão entre as recomendações. O caminho completo de investigação está no artigo sobre libido baixa.
Quando procurar ajuda médica
Procure avaliação quando:
- a queda de desejo dura mais de algumas semanas e está incomodando você ou o relacionamento;
- vem acompanhada de cansaço persistente, alteração de humor, perda de força ou ganho de peso sem explicação;
- você percebe ereções matinais menos frequentes ou dificuldade de ereção;
- começou depois de iniciar um medicamento novo;
- você já tentou suplementos e nada mudou, ou sente que está dependendo deles;
- surgiu algum sintoma novo depois de começar a usar um produto "natural".
Nada disso é motivo de vergonha, e você não está sozinho nessa queixa. O artigo sobre exames de saúde sexual masculina mostra o que costuma ser avaliado.
Como a Pró Homem avalia
Na Pró Homem, a queixa de desejo é tratada como sintoma, não como falta de força de vontade. A consulta investiga desde quando o desejo mudou, sono, peso, uso de álcool, medicamentos e suplementos em uso, saúde emocional e o momento do relacionamento. Exames hormonais e metabólicos são solicitados quando há indicação clínica e interpretados junto com o quadro, nunca a partir de um número isolado.
O protocolo é integrado e pode envolver as frentes hormonal, metabólica e emocional, de acordo com o que a avaliação encontrar. A primeira consulta pode ser feita por telemedicina, o que facilita para quem sente constrangimento, e o acompanhamento inclui etapa presencial obrigatória para exame físico. Todo o atendimento é sigiloso. Para entender como funciona, conheça o tratamento para falta de libido da Pró Homem.
Perguntas frequentes
Alguns estudos pequenos relataram aumento discreto do desejo autorreferido, e outros não encontraram diferença em relação ao placebo. O efeito, quando aparece, é modesto e inconsistente. Queda de libido persistente merece investigação de causa.
Não há evidência de que aumente. Os estudos que mediram hormônios no sangue não encontraram mudança relevante na testosterona. Quem tem sintomas de testosterona baixa precisa de avaliação clínica e exame.
Não há evidência suficiente para considerar a maca um tratamento para disfunção erétil. A dificuldade de ereção tem causas vasculares, hormonais, neurológicas, medicamentosas e emocionais, que precisam ser identificadas por um médico.
A maca contém glucosinolatos, compostos que em grande quantidade podem interferir na tireoide. A relevância clínica é incerta, mas quem tem doença de tireoide ou usa hormônio tireoidiano deve conversar com o médico antes de usar.
Os relatos mais comuns são desconforto gastrointestinal, alteração do sono e agitação. Há pouca informação sobre interações com medicamentos, e a qualidade do produto varia bastante. Informe ao médico qualquer suplemento que você use.
Revisão médica: Revisado por Dr. Andrei Oliveira, CRM PR 53133. Publicado em: 29 de setembro de 2026 · Última revisão: outubro de 2026


