Infertilidade masculina é quando alterações no homem dificultam a gravidez da parceira após 12 meses de relações regulares sem contracepção, critério usado pela Organização Mundial da Saúde. O homem responde por parte importante dos casos de infertilidade do casal. As causas incluem varicocele, alterações hormonais, infecções, anabolizantes, calor, tabagismo e idade.
O que é infertilidade masculina
A definição da OMS vale para o casal: um ano de tentativas sem gravidez. Quando a parceira tem mais de 35 anos, a recomendação é antecipar a investigação para seis meses, porque o tempo pesa mais para ela. Infertilidade não é o mesmo que esterilidade: na maioria dos casos, existe uma redução da capacidade de gerar filhos, e não uma impossibilidade.
Também não tem relação direta com desempenho sexual. Um homem pode ter ereção firme, desejo preservado e ejaculação normal e, ainda assim, ter poucos espermatozoides ou espermatozoides com pouco movimento. Por isso a frase "comigo está tudo funcionando" não substitui a avaliação.
Por que o homem precisa ser avaliado junto
Durante muito tempo, a investigação da fertilidade do casal era feita quase só na mulher, e o homem entrava tarde, quando entrava. A Sociedade Brasileira de Urologia defende que os dois sejam avaliados desde o começo. O motivo é prático: o fator masculino está presente em boa parte dos casos, sozinho ou somado a um fator feminino, e os primeiros exames do homem são simples. Começar pelos dois evita meses de tratamento na direção errada.
Principais causas
Na prática, as causas se agrupam assim:
- Varicocele: dilatação das veias do testículo que aquece a região e pode prejudicar a produção de espermatozoides. É uma das causas tratáveis mais frequentes; entenda em varicocele.
- Alterações hormonais: a produção de espermatozoides depende de um eixo entre cérebro e testículo. Problemas na hipófise, prolactina alta, alterações de tireoide e o hipogonadismo masculino podem interferir.
- Anabolizantes e testosterona sem indicação: o hormônio que vem de fora faz o cérebro "desligar" o estímulo aos testículos, e a produção de espermatozoides pode cair muito, às vezes chegando a zero. A recuperação após parar não é garantida e pode levar meses. Veja mais em anabolizantes: efeitos no corpo.
- Infecções: infecções sexualmente transmissíveis, prostatite e orquite (inflamação do testículo, como a causada pela caxumba depois da puberdade) podem deixar sequelas.
- Calor: exposição frequente a sauna, banheira quente, notebook no colo ou longos períodos sentado em ambiente quente.
- Tabagismo, álcool em excesso e drogas: afetam quantidade e qualidade dos espermatozoides.
- Obesidade e doenças metabólicas: alteram hormônios e aumentam a inflamação no organismo.
- Idade: a fertilidade masculina também declina com o tempo, de forma mais lenta que a feminina.
- Causas obstrutivas e genéticas: bloqueios no caminho dos espermatozoides (inclusive a vasectomia, quando há desejo de reversão) e alterações cromossômicas, investigadas em casos selecionados.
Em parte dos homens, mesmo após investigação completa, não se identifica uma causa definida. Isso não significa que não exista caminho.
Como é a investigação
A avaliação começa com uma conversa detalhada: tempo de tentativa, frequência das relações, filhos anteriores, doenças, cirurgias, uso de medicamentos, hormônios e suplementos, hábitos e trabalho. Em seguida vem o exame físico, que olha tamanho e consistência dos testículos, presença de varicocele e sinais hormonais.
O exame central é o espermograma, em geral repetido antes de qualquer conclusão. Conforme o resultado, o médico pode pedir dosagens hormonais, ultrassom do escroto, exames de infecção e, em casos específicos, testes genéticos. A partir desse conjunto, o urologista ou andrologista define se há tratamento clínico, cirúrgico ou se o casal deve ser encaminhado à reprodução assistida.
O peso emocional
Descobrir uma alteração na própria fertilidade costuma mexer com a identidade do homem. Culpa, vergonha, sensação de falha e distanciamento da parceira são reações comuns. Quando o sexo vira "tarefa" com data marcada, o desejo pode cair e surgir até dificuldade de ereção, criando uma camada a mais de sofrimento. Se isso está acontecendo, vale entender a libido baixa como algo que tem causa e abordagem.
Você não está sozinho nisso, e infertilidade não diz nada sobre o seu valor como homem. É um problema de saúde, com investigação e opções.
Quando procurar ajuda médica
Procure avaliação se:
- o casal tenta engravidar há um ano sem sucesso, ou há seis meses com parceira acima de 35 anos;
- você usou ou usa anabolizantes ou testosterona e pensa em ter filhos;
- teve caxumba na vida adulta, cirurgia na virilha ou no escroto, ou testículo que não desceu na infância;
- percebe testículos pequenos, endurecidos, doloridos ou com veias dilatadas;
- tem queda de desejo, cansaço ou dificuldade de ereção junto com a dificuldade para engravidar.
Se ficou em dúvida sobre qual especialista procurar, veja urologista ou andrologista.
Como a Pró Homem avalia
Os tratamentos de infertilidade, cirúrgicos ou de reprodução assistida, são conduzidos pelo urologista e pelo especialista em reprodução humana, e a Pró Homem orienta o paciente para esses profissionais quando é o caso. Na nossa avaliação, identificamos o quadro, investigamos a relação com a saúde sexual (ereção, desejo, ejaculação, testosterona, uso prévio de hormônios ou anabolizantes) e solicitamos exames quando indicados.
Quando há alteração hormonal, metabólica ou emocional, o cuidado segue um protocolo integrado que leva em conta o plano de ter filhos, com sigilo em todas as etapas. A primeira consulta pode ser por telemedicina, porta de entrada para quem prefere começar com discrição, e o acompanhamento tem etapa presencial para exame físico. Veja como funciona a primeira consulta na Pró Homem.
Perguntas frequentes
Depende da causa. Algumas, como varicocele, alterações hormonais e infecções, têm tratamento específico. Em outros casos, a reprodução assistida é o caminho. A investigação define as opções para cada casal.
Sim. Fertilidade e função sexual são coisas diferentes. Um homem pode ter ereção, desejo e ejaculação normais e, ainda assim, ter alteração na produção de espermatozoides.
Pode reduzir muito a produção de espermatozoides, às vezes a zero, porque o hormônio externo inibe o estímulo natural aos testículos. A recuperação após a suspensão não é garantida e precisa de acompanhamento médico.
O urologista, em especial o andrologista, conduz a investigação e o tratamento do homem. Quando necessário, o casal é encaminhado ao especialista em reprodução humana.
Revisão médica: Revisado por Dr. Andrei Oliveira, CRM PR 53133. Publicado em: 21 de outubro de 2026 · Última revisão: outubro de 2026


